Saúde mental no plano de saúde: Psicologia e terapia são cobertas?
Saúde mental no plano de saúde: psicologia e terapia são cobertas?
Sim. Em regra, os planos de saúde regulados pela ANS devem cobrir atendimentos ligados à saúde mental, incluindo psicologia e psicoterapia, além de consulta com psiquiatra (quando o seu plano tem cobertura ambulatorial). O “como” e o “quanto” variam conforme tipo de plano, rede credenciada, contrato e regras do Rol/DUT.
Neste guia, vou explicar o que costuma ser coberto, o que mudou nos últimos anos e como agir quando o plano nega atendimento.
O que o plano é obrigado a cobrir em saúde mental?
Quando falamos de saúde mental, a cobertura geralmente envolve:
- Consulta com psiquiatra: avaliação, acompanhamento e prescrição, quando necessário.
- Atendimento com psicólogo: consultas e acompanhamento psicológico.
- Sessões de psicoterapia: tratamento continuado conforme indicação e regras aplicáveis.
- Atendimento multiprofissional: quando indicado (pode incluir terapia ocupacional, fono, fisioterapia em alguns contextos).
- Internação e atendimento hospitalar: em situações que exigem cuidado intensivo (para planos com cobertura hospitalar).
- Urgência e emergência: quando há crise aguda, risco e necessidade de estabilização, conforme a segmentação do plano.
Importante: o Rol da ANS funciona como referência mínima de cobertura obrigatória para a maioria dos contratos (especialmente planos novos ou adaptados).
Psicólogo e psicoterapia são a mesma coisa?
Não exatamente.
- Psicólogo: é o profissional.
- Psicoterapia: é o procedimento de tratamento (a terapia em si), normalmente realizada por psicólogo habilitado.
No seu pedido ao plano, você pode ver termos como “consulta com psicólogo”, “sessão de psicoterapia” ou “atendimento psicológico”. Na prática, o que importa é: havendo indicação e solicitação correta, o plano deve autorizar dentro das regras do contrato e da regulação.
Existe limite de sessões de terapia no plano de saúde?
Essa é a dúvida mais comum.
Por que você ainda vê números de sessões por aí?
Por muito tempo, circularam referências a quantidades mínimas em diretrizes e materiais antigos. Isso ainda aparece em textos desatualizados, PDFs antigos e até em orientações internas de operadoras que nem sempre acompanham as atualizações mais recentes.
O que mudou na prática?
O cenário evoluiu para ampliar o acesso e reduzir a ideia de “teto fixo anual”. Hoje, a discussão tende a ser menos “quantas sessões por ano” e mais:
- Existe indicação clínica?
- O pedido foi feito do jeito certo?
- Há documentação suficiente para autorizar?
- Existe disponibilidade na rede credenciada?
Ou seja: muitas negativas acontecem não por falta de direito, mas por falha no pedido, documentação insuficiente, código/procedimento solicitado de forma errada ou questões de rede.
O que são DUTs e por que elas impactam terapia e saúde mental?
DUT é a Diretriz de Utilização: uma regra que pode existir para orientar em quais situações um procedimento tem cobertura obrigatória e quais critérios podem ser exigidos.
Na prática, as DUTs influenciam:
- Quando a cobertura se aplica (critérios clínicos, indicação, etc.).
- Quais documentos o plano pode solicitar para autorizar.
- Como solicitar (pedido, relatório, plano terapêutico, frequência, objetivos).
Mesmo quando existe DUT, o plano não pode “negar por negar”. Se negar, deve informar o motivo objetivo e quais critérios não foram atendidos.
Terapias para autismo e transtornos do desenvolvimento têm regra específica?
Sim. Em casos ligados a transtornos do desenvolvimento (como os enquadrados na CID F84), a discussão costuma envolver abordagem terapêutica, método e frequência.
Na prática, o que mais ajuda nesses casos é ter um pedido bem feito, com:
- Relatório médico detalhado: histórico, diagnóstico, justificativa e riscos do atraso no tratamento.
- Plano terapêutico: objetivos, frequência semanal, duração estimada e equipe envolvida.
- Registro de tentativas na rede: se houver indisponibilidade de profissionais.
Terapia online é coberta pelo plano de saúde?
Pode ser, mas depende de dois pontos:
- Rede credenciada: se o plano oferece atendimento remoto com profissional credenciado.
- Contrato e reembolso: se existe reembolso para atendimento fora da rede e quais são os limites.
Se a operadora não oferece profissional disponível em prazo razoável e você consegue comprovar as tentativas, isso pode fortalecer um pedido de alternativa equivalente (inclusive fora da rede), dependendo do caso.
Quais planos são obrigados a cobrir psicologia e saúde mental?
A cobertura varia conforme a segmentação do seu plano:
- Ambulatorial: inclui consultas e terapias (onde psicologia e psicoterapia normalmente entram).
- Hospitalar (com ou sem obstetrícia): inclui internações e procedimentos hospitalares.
- Referência: reúne coberturas mínimas combinadas.
Um erro comum é esperar cobertura ambulatorial completa em um plano que é somente hospitalar. Por isso, antes de concluir que “não cobre”, confirme qual é a segmentação do seu contrato.
O plano pode negar psicoterapia porque “não está no Rol”?
Na maioria das situações, psicoterapia e atendimento psicológico são temas clássicos de saúde mental e, quando bem solicitados, a discussão costuma ser menos “não está no Rol” e mais “como foi solicitado e documentado”.
Se a operadora usar essa justificativa, vale exigir:
- Negativa por escrito com o motivo detalhado.
- Indicação do item/norma usada para negar.
- Orientação do que falta para regularizar o pedido (documentos, códigos, rede).
O que o plano pode exigir para liberar terapia?
Para autorizar corretamente, muitos planos solicitam:
- Pedido ou encaminhamento: dependendo do fluxo do plano.
- Relatório clínico: justificativa, sintomas, objetivos e frequência sugerida.
- CID: muitas operadoras pedem (na prática, costuma facilitar a autorização).
- Plano terapêutico: especialmente em tratamentos contínuos ou multiprofissionais.
O que não deveria acontecer:
- Negar sem explicar qual regra foi aplicada.
- Exigir documentos “misteriosos” sem dizer exatamente o que falta.
- Empurrar alternativas que não sejam equivalentes ao tratamento indicado.
Sinais de negativa indevida em terapia e saúde mental
- “Regra interna” sem base: limitam sessões sem citar norma clara.
- Negativa genérica: sem apontar o motivo e o que fazer para corrigir.
- Demora excessiva: sem prazos e sem solução, mesmo com documentação completa.
- Confusão com rede: dizem que “não tem” quando há credenciados, ou não oferecem alternativa.
Como pedir psicoterapia no plano do jeito certo?
Se você quer aumentar muito a chance de aprovação, siga este passo a passo:
- Tenha um pedido bem feito: encaminhamento e/ou relatório com justificativa e frequência.
- Procure a rede credenciada: tente primeiro pelos canais oficiais do plano.
- Formalize a solicitação: app, site, central de atendimento ou canal registrado.
- Guarde tudo: protocolos, prints, e-mails, datas e horários.
- Se negar, peça por escrito: motivo detalhado e norma usada.
O que fazer se o plano negar terapia?
1) Peça a negativa formal
- Motivo detalhado: qual regra e por quê?
- Protocolo: número e data do atendimento.
2) Reforce a documentação
- Relatório mais completo: sintomas, histórico, risco de agravamento, objetivos e frequência.
- Plano terapêutico: quando for um acompanhamento contínuo.
3) Acione a ouvidoria
A ouvidoria costuma resolver casos que ficam travados na central por padrão.
4) Registre reclamação na ANS (NIP)
Quando há descumprimento de cobertura, a via administrativa pode ajudar bastante, especialmente com protocolos e documentos organizados.
5) Se necessário, busque orientação jurídica
Principalmente quando há urgência, risco ou persistência na negativa.
Perguntas frequentes sobre psicologia e terapia no plano de saúde?
Precisa de encaminhamento médico para fazer terapia pelo plano de saúde?
Muitos planos pedem encaminhamento/relatório para autorizar sessões e auditar tratamentos. Mesmo quando não é “obrigatório” em tese, na prática ajuda muito a evitar negativa.
O plano cobre terapia para ansiedade, depressão e burnout?
Em geral, são condições típicas de saúde mental, e a cobertura costuma ocorrer via consulta e psicoterapia, respeitando rede, documentação e regras aplicáveis.
O plano pode limitar o número de sessões de psicólogo?
A tendência regulatória é ampliar o acesso e reduzir limites fixos, mas algumas operadoras ainda criam barreiras administrativas. Por isso, pedido bem feito e protocolos guardados fazem toda diferença.
Se eu fizer terapia particular, o plano reembolsa?
Somente se o seu contrato tiver reembolso. Caso não tenha, o caminho padrão é usar a rede credenciada. Se não houver oferta adequada na rede, pode haver discussão de alternativa, mas depende de prova e do caso.
Conclusão: psicologia e terapia são cobertas, mas o “detalhe” decide
Na prática, sim, saúde mental tem cobertura no plano de saúde, e psicologia/psicoterapia fazem parte do que o beneficiário pode buscar. O que determina se vai ser rápido e sem dor de cabeça é:
- Tipo de plano: ambulatorial, hospitalar ou referência.
- Rede credenciada: disponibilidade de profissionais e prazos.
- Documentação correta: pedido, relatório e, quando necessário, plano terapêutico.
- Protocolo e organização: para contestar negativa com força.
Quer ajuda para escolher um plano com boa cobertura em saúde mental?
Se você quer um plano com acesso facilitado a psicólogo, terapia e bons canais de atendimento, a PSSP te ajuda a comparar opções e encontrar o melhor custo-benefício para o seu perfil (MEI, PME, empresarial ou familiar).


Leandro Gugisch